Revisitando alguns dos velhos filmes adolescentes dos anos 80, reencontrei com o "O Clube dos Cinco" ou no original "Breakfast Club". Dirigido por John Burch, este teen movie chamou minha atenção pela pegada bem diferente de outros como "Gatinhas e Gatões" e "Curtindo a Vida Adoidado".
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quinta-feira, 20 de abril de 2017
quinta-feira, 21 de abril de 2016
O que você entende sobre Paulo Freire?
Diante dos Protestos que tenho visto no Brasil (e não pretendo discuti-los aqui) me despertou a atenção entre as críticas um manifesto em Março de 2015, em Brasília: "Chega de Doutrinação Marxista. Basta de Paulo Freire".
Minha primeira reação foi: "O que está errado neste mundo?!!" Não foi a única manifestação, pois um site conhecido como "Mídia Independente", também sem o conhecimento necessário, mencionou "a ressurreição de uma Múmia comunista chamada Paulo Freire".
Fico no mínimo estarrecido com a ideia que Paulo Freire é o patrono de uma suposta lavagem cerebral de esquerda nas escolas, ou talvez porque seja editado pela "Paz & Terra", editora notável por publicações críticas de Esquerda.
Paulo Freire é homenageado como educador em países capitalistas como Estados Unidos, Finlândia, África do Sul e Espanha. Na Coréia do Sul, foi feito o maior seminário sobre o Educador. Usado como referencia em alguns países, no Brasil nunca passou da experiência:
1- A acusação de "marxista" recaí por em um de seus livros, Freire ter usado como argumento um pensamento de Mao Tsé-Tung. Mas é ignorância, pois boa parte de sua produção supera em abertura ao Marxismo. Ele mesmo declara que resistiu à leitura de Marx e Engels, para não se prender às suas ideias. O procurou quando viu a realidade dos excluídos que foi educar.
2- Dos principais teóricos-base de Paulo Freire, acharíamos Jaspers e Propper, ou mesmo Sócrates, segundo o próprio, ele "encontrou Marx, quando procurava Cristo". Seu método é inspirado na ideia que na educação tradicional há comunicados e não o diálogo entre professores e alunos. O que haveria de doutrinação marxista nisto?
3- A influencia de Sócrates é vista quando ele, por meio de perguntas, ensina seus alunos a partir do que eles já sabem.
4- Freire tem sua maior colaboração na alfabetização de jovens e adultos, utilizando as "palavras geradoras". Ao invés de alfabetizar com palavras alienígenas ("I-vo-viu-a-U-va"), pois a pessoa nunca provou uma uva, você alfabetiza com palavras que dizem respeito ao seu mundo ("ti-jo-lo" para um construtor, ou "ce-nou-ra" para um agricultor). Isso é a tal "criticidade", pois alfabetizado assim, a pessoa toma consciência de seu mundo e se politiza. A famosa Educação da Finlândia aprecia o método Paulo Freire.
5- Paulo tem na sua cabeça a ideia de Aristóteles "O Homem é um animal político" por isso a educação é política (não importa qual).
Se algo é marcante no pensamento político de Freire é "autoridade sem autoritarismo", assim, Paulo não concorda com um professor-aluno seu que acha que os alunos podem atrapalhar sua aula, pois isso seria limitá-los a liberdade. Freire também diz que "estou com os árabes em sua luta, mas não posso concordar com os ataques terroristas em Munique". A Revolução de Paulo Freire é pacífica, porque é pelo Diálogo e a Educação.
Em tempo, não é possível "usar" o Método Paulo Freire, porque não há parâmetros pra usar na Escola Regular.
Em tempo, não é possível "usar" o Método Paulo Freire, porque não há parâmetros pra usar na Escola Regular.
Se ainda duvida, busque a Bibliografia:
FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade. 23ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1999.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. 33 ed., Rio de Janeiro; Paz e Terra, 2006.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 23 ed., Rio de Janeiro; Paz e Terra, 1994.
https://www.youtube.com/watch?v=Uvdc2YlcZkE
quarta-feira, 5 de agosto de 2015
Quem é Doctor Who?
Talvez seja estranho falar de Doctor Who no nosso espaço. Mas atualmente, principalmente no Universo Geek, a cena pop brasileira está sendo tomada por uma das séries mais antigas no ar pela TV Britânica.
Quem é Doctor Who?
A série ficou conhecida pela primeira vez no Brasil com a exibição do filme de 1996, chamado "Doctor Who - O Senhor do Tempo", mas consolidou-se com as exibição da série produzida no séc. XXI pela TV Cultura desde 2011, fruto da parceria com a Britânica BBC.
quarta-feira, 20 de maio de 2015
Os Desenhos Brasileiros
Um dos prazeres de infância que acompanharam os adultos desta geração são os desenhos animados. Não são mais vistos como exclusivos pra crianças. E eu lembro bem que em duas décadas atrás, nós ambicionávamos ter desenhos brasileiros.
Dependíamos quase exclusivamente dos norte-americanos. Raramente alguns clássicos franceses apareceram na TV brasileira, e progressivamente, a criatividade americana caiu, tanto no traço (apostando no estilo a pretexto mais infantil) quanto em enredo. Na década de 1990, os japoneses de uma entrada tímida estouraram no país, mas mesmo admiradores (como eu!) tem que confessar que cada vez mais caminham para a repetição. Pixar e a lendária Disney vivem do cinema animado, mas decaem bastante quando transformam o trabalho em série.
Hoje, com o fim da propaganda infantil, desapareceu também boa parte dos desenhos animados da TV aberta, tendo como única exceção a TV Cultura. Mas curiosamente é graças às leis de incentivo à programações nacionais na TV fechada, a Ancine e alguns "estágios" de profissionais no exterior (que geraram "Era do Gelo" ou "Cassiopeia") que surgiram uma certa diversidade.
A Turma da Mônica é o carro chefe desta produção pois é a mais antiga. Basta ver as primeiras produções isoladas (em especiais lendários em VHS ainda no período militar) e comparar com as últimas feitas. A MSP ainda não tinha cacife pra fazer desenhos regulares, apenas "filmes" curtos. As séries se baseiam em diversos episódios já conhecidos dos leitores dos gibis com uns toques modernos. Os cenários continuam simplórios, mas são apresentados até em 3D. Esta produção que é apresentada (obviamente) na Rede Globo é acompanhada pelo Sítio do Picapau Amarelo, versão bem simplificada da obra de Monteiro Lobato, talvez num ritmo mais veloz que o próprio autor pensou...
Mas e as produções feitas do zero? Aí entra a TV Cultura que investiu na exibição de alguns deles. Um dos primeiros foi Nilba e os Desastronautas. Um desenho de plágios bem original. Conta as desventuras de um garoto que convence uma tripulação espacial a viajar pelo espaço e vão parar na Lua Ervilha. A canção tema já anuncia: "a pior tripulação numa sucata espacial", isto é, como diz a gíria, "bem BR" mesmo. Lembra a temática do "Perdidos no Espaço", e fazem paródias divertidas com Star Trek, Chapolim, Avatar e até Caverna do Dragão. O desenho da 44Toons é muito bom, e exibido até nos Estados Unidos.
Uma produção bem diferente é Zica e os Camaleões. À primeira vista, mais parecia um dos desenhos da MTV. Conta a vida cheia de dilemas da adolescente conhecida como Zica. Interessante que a turma roqueira de Zica é desenhada em preto e branco, enquanto os demais, inclusive sua família, são excessivamente coloridos. Rebelde, sim, mas diferente dos da MTV, rebelde com causa. Ela questiona de forma inteligente o mundo, não faz o papel de filha revoltada. O pai não tem tempo, a mãe só pensa em lojas e o irmão segue modinhas. No fim, ela se confidencia com seus camaleões de estimação (sempre camuflados!) e no fim, uma canção da personagem, até em forma de carne e osso mesmo. É um desenho legal, mas poderia ser mais longo.
Outra pérola é um com um título enorme e estranho: Osmar, a Primeira Fatia do Pão de Forma, dublado por ninguém menos que a dupla Marcius Melheim e Leandro Hassum. Melheim encarna Osmar e Hassum seu melhor amigo Steve, num mundo em que todos os personagens são pães, queijos e massas, o personagem principal é um pão de forma... a primeira fatia cascuda dele. Por isso é o indesejado e tratado como fracassado. O roteiro é simples, ele é azarado, sem dinheiro (e perde dinheiro!) e a bisnaga que ele gosta, nunca lembra seu nome. Lembra os velhos desenhos de Hanna-Barbera, mas para a dupla, o humor não é tão intenso quanto poderiam.
Já sem nomes conhecidos, mas vozes conhecidas, há também o Historietas Assombradas - Pra crianças malcriadas. Tem o traçado atual dos desenhos malfeitos norte-americanos. O roteiro tão sem sentido como alguns da Nickelodeon. As bizarras aventuras de um garoto arteiro chamado Pepe, cuja avó é uma feiticeira e seus amigos mais bizarros que ele, exceto a doce Marilu (a única com a cabeça no lugar). Surgem os monstros mais bizarros, (apresentados com cenas de Card Game, com pontos e estatísticas!). Você reconhecerá as vozes dos dubladores de Wolverine e Nicole Kidman nestas aventuras em que pintaram o Pé-Grande, o Lobisomem e até a Loira do Banheiro. É tosco de traço, mas dá umas boas risadas.
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Ainda tem alguns outros, mas é bom saber que o brasileiro enfim conquistou outras mídias e sabe ser criativo.
segunda-feira, 9 de março de 2015
Política para Principiante - Parte 2
Hoje vamos falar de um assunto que divide e confunde muitos brasileiros, mas facilmente entendido pelos franceses: A Direita e Esquerda.
DIREITA, ESQUERDA E CENTRO
As pessoas só começaram a possuir esta noção, quando o mundo foi abalado pela Revolução Francesa (1789-1799). Derrubado o Rei Luís XVI, a República instaurada dividia-se em três grupos burgueses: Os sentados à Direita, os sentados à Esquerda e os sentados ao Centro na Assembléia Nacional.
Os sentados à DIREITA (Girondinos) estavam preocupados com destruir os privilégios de sangue (nobres e reis), não privilégios financeiros. Queriam liberdade para que os governantes não interfiram em seus negócios.
Os sentados à ESQUERDA (Jacobinos) queria mudanças em que pobres e ricos tivessem menos diferenças, como lei de preços máximos para os alimentos essenciais e ensino disponível pros mais pobres.
Os sentados ao CENTRO (Planície), pensavam moderadamente as duas posições, apoiavam quem estava na liderança, mas sem se comprometer.
Após este período, ficou comum a divisão ideológica geral destes grupos. Geralmente identificamos pelas cores da bandeira moderna francesa, a direita como azul, o centro como branco e a esquerda como vermelha.
Atualmente, também usamos os termos "moderado" e "extremo"para posições de direita e esquerda. Vamos fazer um apanhado destes casos:
EXTREMA DIREITA - Identificado com o Fascismo, retira os direitos de liberdade de expressão, incentiva um capitalismo nacional. Os sindicatos são parte do governo (então anula seu poder de questionamento) e a diferença de salários é enorme. A insatisfação e a crítica não é admitida. Creem que os cidadãos em essência não sabem o que é melhor pra eles, e que regimes livres são apenas "fracos" e frágeis. É incentivada a pena de morte.
DIREITA MODERADA - Identificada com o Liberalismo, "Estado bom é o que governa menos". Incentiva a Economia, a Democracia e Globalização. As empresas tendem a ser privatizadas (o governo vende a empresa pública, confiando aos empresários) mesmo quando pertencem aos próprios políticos. Consideram natural e inevitável a diferença entre ricos e pobres, porque acreditam que as oportunidades são iguais. Tendem a ser internacionalistas, no caso brasileiro, costumam identificar-se com os valores dos USA.
CENTRO - Enquanto no Exterior costumamos chamar de social-democratas, no Brasil, tendem a ser "neutros", ou "fisiológicos". Os social-democratas desejam o enriquecimento de alguns (livre iniciativa) sem esquecer projetos sociais. É o caso da Suíça e vários países nórdicos que conseguiram diminuir as diferenças sociais. Já os neutros ou fisiológicos, buscam suas atitudes e opiniões por momento ou conveniência.
ESQUERDA MODERADA - São identificados como Trabalhistas, a Esquerda que luta democraticamente em países liberais. Defendem a liberdade dos cidadãos, a cidadania e até a livre iniciativa econômica, mas dão prioridade para o social, com projetos para equilibrar a diferença entre ricos e pobres. Tentam compensar a pobreza com a ajuda do governo. Lutam por várias diferenças como o feminismo, a igualdade racial, etc. Apesar da identificação com o Socialismo, costumam ser bem críticos com seus parceiros também da esquerda.
EXTREMA-ESQUERDA - Identificada com a implantação de governos Socialistas Radicais e o Movimento Anarquista. A cidadania é considerada uma farsa da Direita, por isso não há preocupação com certas liberdades civis. A prioridade é equivaler as pessoas, dividindo as terras e estatizando as empresas (tomar empresas de seus donos, ficando o controle do governo e os lucros para projetos sociais). A diferença entre salários é pouca. O acesso à saúde, escola e empregos, e investimento na Arte e nos esportes são garantidos pra compensar seu autoritarismo. A pena de morte é comum nestes lugares para impedir o fim deste tipo de governo.
Já os Anarquistas concordam que "governo bom é o que governa menos" por isso querem o fim do Estado e a divisão das empresas.
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A partir das divisões gerais, é possível o leitor entender suas opções de ideologia. Você simpatiza com uma, mesmo sem saber.
Percebemos que muitas frases e bordões soltos na Internet confundem as pessoas, como: "Nazismo é de Esquerda", ou "todo governo é de direita", "direita e esquerda não existem mais". Nos últimos tempos, nunca estive mais certo que para muitos brasileiros, não há ENTENDIMENTO de Direita e Esquerda, mas que eles existem, ah, como existem!
Continuemos falando mais depois.
Percebemos que muitas frases e bordões soltos na Internet confundem as pessoas, como: "Nazismo é de Esquerda", ou "todo governo é de direita", "direita e esquerda não existem mais". Nos últimos tempos, nunca estive mais certo que para muitos brasileiros, não há ENTENDIMENTO de Direita e Esquerda, mas que eles existem, ah, como existem!
Continuemos falando mais depois.
domingo, 1 de março de 2015
Política pra Principiante? - Parte 1
VOCÊ ODEIA POLÍTICA?
Muitos tem aversão para falar de política, e surpreendentemente no Brasil, vejo pessoas enfim, se engajando, graças ao "vírus" da Internet.
Mas ainda há alguns que não se importam ou fazem dela uma generalização passiva e uma brincadeira.
Esquecem (literalmente, por esquecer de décadas que ele mesmo viveu, bem como esquecer os processos históricos) que a política é que garante seus direitos, cobra teus deveres e cuida do seu destino: se você ou seus filhos terão empregos, se os preços estarão caros, se a violência será prevenida ou controlada, etc.
Discutiremos aqui, o ABC do sistema político da maneira mais simples pras pessoas.
terça-feira, 8 de julho de 2014
Revisitando Lost
Atualmente, estou revisitando "LOST" depois de seus dez anos de lançamento. Foi uma das coisas mais interessantes que fizeram num seriado neste período. Mistério, drama, ação e humor num só seriado. Assisti assíduo até a terceira temporada. Me revoltei e desisti, dei outra chance e assisti até o fim. Percebi que a quinta temporada era praticamente desnecessária e a quarta poderia ser resumida em 3 episódios, coincide com a greve dos escritores da série. Mas fiz questão de adquirir todos os DVDs. Não me arrependi. Às vezes, nos meus feriadões, ligo e revejo tudo de novo. Sabendo o final, começo a pensar numa teoria nova ou num detalhe que não vi antes. Todos se preocupam com o final, mas creio que o final desmerece o conjunto da obra. O método "Rashomon" de Kurosawa de contar a mesma estória na visão de outro personagem, foi o que mais deu vida ao não-óbvio da série.
Eis os itens que pincei nela:
domingo, 6 de abril de 2014
FILME-CRÍTICA: SEVEN - Os sete crimes capitais
Este fim de semana assisti duas vezes.
Um clássico do cinema com Morgan Freeman e Brad Pitt de 1995.
SEVEN conta com uma fórmula que se tornaria típica depois: o detetive competente, querendo aposentar - Somerset - e o detetive jovem cheio de idealismo - Mills.
Seu alvo um psicopata que segue os sete pecados capitais. O destaque do filme não é só a sequencia e o estilo das mortes - que são chocantes, mesmo não tendo a "ação" das mortes, como em filmes puramente sádicos como Jogos Mortais - ou a referencia à Milton, Tomás de Aquino e Dante Alighieri.
A primeira coisa que me tocou foi a questão da crítica à sociedade urbana pós-moderna, em que jogam um batalhão da SWAT atrás de um criminoso, e na esquina da delegacia tem crime acontecendo. Mills e Tracy tem aquela influencia rousseauniana de ter vindo do interior querendo viver como tal numa cidade grande.
Outra referencia é que o panóptico já está lá falado há várias décadas, antes mesmo da Internet onisciente: O FBI facilmente reconhece e encontra você pelo que você consome, como os livros. Imagine hoje, com nossas redes sociais. O diálogo dos detetives é bem claro, quanto à essa crítica à sociedade pós-moderna, quem é louco e normal? Existe alguém realmente inocente? Que veneno estamos criando pra nós? Inclusive o nome do ator antagonista é omitido até o final do filme, nada é explicado sobre ele, mas para um bom entendedor, pingo é letra: qual a relação entre criminoso e a sociedade? Recomendo.
P.S: A classificação do filme é 14 anos.
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
Elfos, Orcs e Dragões (Parte 1) - J. R. R. Tolkien
Finalmente consegui comprar o volume único de "O Senhor dos Aneis" ano passado. Li só um pouco de Tolkien, apenas 2 livros, mas talvez seja o autor que mais me influenciou. Não só como escritor. Não porque a cada 5 minutos faço uma piada com "Precioso". Percebo o quanto a cultura "pop" desta década tem as influencias indiretas de Tolkien. Com certeza, não teríamos RPG's. Talvez, não teríamos nos anos 80 alguns dos nossos desenhos preferidos, talvez George Lucas faria um Star Wars diferente, talvez - no maior extremo, de leitores dele - nem alguns filmes de Vampiro seriam como são hoje. Criaram-se tribos em torno destas ficções que agora não podemos mais ignorar como coisa de criança e apenas para o sexo masculino. É um pouco de tudo isso, que vamos falar em 3 Artigos.
Tolkien se inspira nas tradições nórdicas e celtas e refaz à sua própria inspiração. A própria Terra Média é o nome de Midgard, o mundo dos homens da mitologia nórdica. Tolkien transformou os elfos - que no Brasil, antes de divulgar seus livros, entendiamos como meros "duendes" - no que são reconhecidos pelo mundo atualmente, colocou-os vivendo com os orcs, humanos e os anões, e presenteou-nos com a raça dos hobbits.
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| A habitação dos Hobbits |
Se algo aprendemos com as raças de Tolkien, - que não sinto nenhum racismo implícito deste sul africano - é exatamente quando os comparamos com os humanos. Humanos são mais gananciosos que os hobbits, menos dados às coisas do espírito que os elfos, são menos determinados que os anões. Mas com certeza, o pior humano é ainda melhor que um orc, que personificam a barbárie e a guerra. Para entendermos o Homem, olhamos as raças com que convivem.
Tolkien mudou seu estilo, antes da II Guerra em 1937 com o "O Hobbit"e depois em 1955 com "O Senhor dos Anéis", mas sua essência é a mesma. A narrativa é ao mesmo tempo rebuscada e gostosa de ler. Em geral, os livros ou escolhem uma coisa ou outra. Escrevia com linguagem adulta, textos que começavam de forma infantil. Alternava - bem no gosto de Shakespeare - o trágico, o épico e o cômico. A descrição completa de seu mundo, feita por um estudioso da Geografia, enquanto para outros escritores eles simplesmente estão a serviço da estória, Tolkien coloca o drama de "O Senhor dos Anéis" dentro do universo que ele criou com calendário, dinheiro, estações do ano. O idioma próprio dos anões e elfos - que ele mal explicava em O Hobbit - tem pra mim grande lógica, combinando sufixos e prefixos de idiomas antigos com radicais originais.
Ressalto para a gastronomia, coisa que envolve qualquer leitor: A cozinha dos Hobbits ou o "pic-nic" dos elfos nos dá água na boca, como descreve nos faz esquecer qualquer destes fast foods e pensarmos em pães com mel, ervas, frutas e vinhos...
Há alguma moral em sua obra, ou a resposta daquela chata pergunta pós-moderna de "pra quê ler isto?"
Tolkien era amigo de Lewis, o autor de "Crônicas de Narnia". Os dois lutavam para publicar obras de fantasia com toda seriedade para adultos. Colegas escritores troçavam, até fazendo uma paródia de nome "O Boggit". Para os dois autores, que remaram contra a tendencia da época, o distanciamento da realidade construtivo é saudável. Como nós hoje assistimos desenhos animados ou jogamos videogame. O raciocínio contrário levariamos a abandonar o gosto por mitologia grega, ou arte surreal, que sabemos o quanto é saudável.
Em "O Hobbit" o herói - simplesmente escolhido - deixa o conforto tedioso do lar na busca de devolver um reino e um tesouro contra um dragão. Diferente de hoje, uma época super-consumista, mas a ficção sempre tem que ter um fim nobre, a luta é por um tesouro mesmo sem nenhuma culpa, até há um contrato na aceitação de Bilbo no grupo, que não era nenhuma falta de romantismo.
Dragões na Idade Média sempre eram a personificação do Senhor feudal cruel, e depois do burguês, acumulando tesouros e exigindo virgens para não destruir as vilas humanas.
Já "O Senhor dos Anéis" com a profundidade em criar a Terra Média, torna a trama mais para o lado do épico. Há capítulos inteiros empenhados em apenas contar os acontecimentos do passado, das outras eras.
O grande trunfo de Tolkien consiste em transformar o anelzinho mágico de Bilbo - que o autor nem explicou nada sobre ele em "O Hobbit" - na causa de uma guerra espetacular entre o bem e o mal.
Tolkien já avisa que foi escrevendo livremente, é tentador não relacionar o livro com a II Guerra Mundial que ele viveu, ele nega totalmente qualquer alegoria intencional. Aí acabam as semelhanças, "Crônicas de Narnia" tinha uma moral da estória intencional, uma grande e proposital alegoria. Tolkien, mesmo tendo vivido a II Guerra disse que se ausentou de qualquer referencia intencional. Sauron não é Hitler, mas é inegável sentir que o peso do Desastre é sentido antes e depois em "O Hobbit".
Boromir no livro fala que Sauron ameaça "as terras de paz e livres", bem no discurso das nações aliadas. Alguns pensam nos "amarelos" dos orcs - eles não eram esverdeados? - uma referencia aos asiáticos.
As raças dos homens, elfos e anões se unem como no "O Hobbit", não pelo tesouro, mas pela liberdade da Terra Média, representando os povos livres, como França, Inglaterra, USA e até a URSS unem suas forças contra o Eixo.
Talvez não precisava ser intencional. O inconsciente faz estas coisas. O bem e o mal são discutidos exaustivamente na obra. O excesso de poder consegue corromper e poucos teriam força para resistir, iniciamos com um propósito bom, mas acabamos corrompidos. Gollum, uma espécie de Caim da Terra Media é consumido pelo anel - e apresenta 9 tipos de transtornos psíquicos da vida real segundo a "Revista Superinteressante". No fim, temos Aragorn como aquele que corrige o erro do antepassado Isildur, o que deveria ser a missão de todos nós, quebrar o circulo vicioso dos erros das antigas gerações.
O Senhor dos Anéis é uma "mitologia moderna"? É o mesmo que vale para "Star Wars" no cinema. Depois disso, tudo virou cópia de Tolkien, como Tolkien viu os orcs, anões ou elfos, os outros escritores nao conseguiram ver de outra forma. A herança que temos em Dungeons & Dragons (o jogo, o filme, o desenho animado) ou Eragon. Por fim, a despeito de personagens valentes como Aragorn, sábios como Gandalf e poderosos como Legolas, vemos o drama recair em personagens simples como Bilbo, Frodo e Gollum. Gandalf acredita no heroísmo dos hobbits porque eles são dedicados e amam as pequenas coisas.
Antes que alguma alma feudalizada levante teorias maléficas na obra, Tolkien e Lewis eram cristãos convictos, Tolkien com seu Senhor dos Anéis, católico fervoroso e Lewis, autor de Crônicas de Nárnia, protestante exemplar. Com tudo isso, o jornal "The Sunday Times" está certo em dizer que o mundo é dividido entre os que leram estas duas obras e ainda não a leram, parabéns a Tolkien!!
Em tempo: Gosto de usar os mapas da Terra Média nas aulas de cartografia como exemplo de mapas imaginários. Tolkien também era do nosso time de estudos de ciências humanas. Copiaram a dica, professores?
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